NÃO EXISTE ALMOÇO DE GRAÇA

Na faculdade de economia, uma das primeiras lições que se aprende é que “não existe almoço de graça”. Aprendemos ao longo da vida que quando a esmola é grande o santo desconfia. Por isso devemos ficar atentos quando alguém aparece com uma proposta aparentemente muito boa para nós.

Tenho observado algumas pessoas comemorando o fim da contribuição obrigatória a seu sindicato. Deixo aqui um alerta para que tenhamos calma. Com o fim da contribuição sindical, muitos sindicatos irão perder poder de fogo para mobilizar a categoria e negociar de forma igualitária com a bancada patronal. Os reflexos desse enfraquecimento serão sentidos em breve, nas negociações.

Temos alguns números de fácil compreensão da importância dessa negociação, vamos ver?

1) Horas Extras a 65% quando pela Lei o índice é de 50%;
2) Adicional Noturno de 35% quando pela Lei é de 20%;
3) Cesta Básica: hoje todos os Trabalhadores Gráficos do Estado de São Paulo têm direito a uma Cesta Básica Mensal. Como o este direito não está previsto em Lei, trata-se de uma conquista sua e nossa;
4) Participação nos Lucros e Resultados PLR: em nossa base temos PLR de até R$ 1200 reais, a lei não prevê valores, portanto é mais uma conquista sua e nossa;
5) Reajuste Salarial: fazendo as contas chegamos fácil a conclusão de que nos últimos dez anos, os trabalhadores de nossa categoria tiveram aumento real, ou seja, dez por cento acima da inflação;
6) Aumento Real: na última campanha salarial fechamos com grande parte das empresas de nossa base territorial com percentual de 3%, ante uma inflação de 1.83%. Esse resultado ocorreu mediante nossa luta e muitas reuniões com todas essas empresas. Portanto, se você recebeu 3% de reajuste não foi de graça, foi através de muita luta;

Reflexão
Qual o interesse dos deputados de retirarem a contribuição dos Trabalhadores para custeio do seu Sindicato? A resposta é simples: a maioria dos deputados são empresários e eles querem o enfraquecimento das entidades sindicais para assim poderem sugar até a ultima gota de nosso suor.

Algumas entidades sindicais têm feito acordos coletivos somente para associados e Trabalhadores que aceitam a contribuição. O Ministério Público do Trabalho tem dado aval para essa prática, entendendo que se o Trabalhador pode optar por não querer contribuir com seu Sindicato, o Sindicato poderá também representar e negociar apenas os que queiram ser representados.

Isso vem crescendo nas negociações deste ano, talvez seja uma prática para as futuras negociações. Dessa forma o Trabalhador irá perceber quem de fato negocia por melhores condições de trabalho para todos.

Respeitando a individualidade de cada um, precisamos nos conscientizar de que unidos estaremos mais fortes para fazer valer nossos direitos.

Francisco Wirton – Chiquinho.

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